segunda-feira, 30 de julho de 2012

Intrusa

...Quase 4h andando, minha labradora ainda mantinha uma boa reserva de energia acumulada e eu não estava perto de parar, correr me fazia refletir sobre muitas coisas e descartar a ansiedade que não me deixava dormir com tranqüilidade. Segundo dia de hospedagem em um hotel 5 estrelas afastado de minha cidade me fizeram respirar coisas novas e me libertar de preocupações inúteis.
Como ainda hoje a chuva tinha passado precisei tomar cuidado com grandes poças acumuladas na pista, o que não adiantou muito. Quando eu estava completando mais uma volta de frente a entrada da recepção me faltou uma grande quantidade de ar, Lola disparou em um ritmo mais acelerado e eu deslizei alguns metros de bunda no chão sem entender se o que eu tinha visto na minha frente era real ou só um distúrbio de imagens provocado por minha fértil imaginação. Não poderia ser, não aqui. Eu ainda não estou preparada para isso. Não é possível. Com certeza ainda não me curei dessa ferida, não sei se posso curar, ela nunca esteve tão aberta e agora eu sabia que deveria me acostumar com ela  e fazer o mesmo que ele disse que faria. Ao abrir os olhos eu estava sendo levantada pelo casal que eu acabara de derrubar, muito insegura olhei firme para a camisa amarela do rapaz e subi o olhar como uma criança com medo de encarar os pais após quebrar algum objeto importante. Encontrei os olhos dele e não consegui acreditar no que os meus estavam mostrando. Era ele. Era ele. Segurei forte a minha peluda até ver que ele parecia nem ao menos saber o meu nome. Aquilo caiu como um balde de água gelada, e aquele sorriso ao perguntar se eu estava bem me cortou tão profundamente que eu não lembrei de responder a pergunta, mas lembrei da moça que acariciava Lola e sorria para ele. Então, como a entrusa que nunca imaginei que poderia ser, recolhi a coleira e entrei no hotel pronta para voltar para casa...

Nenhum comentário:

Postar um comentário