quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Borboletas vs Dragões

Estapafúrdias de nomes esdrúxulos e deselegantes, sem mais ou menos, dando a cara tapa para o sentimento que chamo de mágoa.
Sorrateira, descarada. Enrola aperta e puxa. Dói. Dói. Dói.
 Dói ainda mais quando vira medo, medo de repetir a tragédia e a lembrança da desgraça interior.
Borboletas lutando contra dragões, é isso que eu tenho agora.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Você

Preciso sair desse inferno, minha esperança é te ter, acho a força que me falta quando penso em você.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Maçã

Medo, frio, estou soando.

Em meio a epifania desencadeada
Se encadeia uma nova onda de confusão
Sempre perto, passos largos
Vou em direção ao Sol
Me desculpe se incomodo
Pouco faço, muito ganho
Sem nenhum fator estranho
Pouso em casa bem depressa
Aliás, que hora é essa?

Trás de volta a semente
Trás de volta a terra fértil
O discurso da serpente
Sempre muito tentador
Pego e levo a maçã
Que pra muitos foi terror
Pra mim é anestesia
Espeta e fura a pele sem nenhum pingo de dor
Revertendo essa maldita;
Quem sabe outrora me abra os olhos e traga junto um novo amor?


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Intrusa

...Quase 4h andando, minha labradora ainda mantinha uma boa reserva de energia acumulada e eu não estava perto de parar, correr me fazia refletir sobre muitas coisas e descartar a ansiedade que não me deixava dormir com tranqüilidade. Segundo dia de hospedagem em um hotel 5 estrelas afastado de minha cidade me fizeram respirar coisas novas e me libertar de preocupações inúteis.
Como ainda hoje a chuva tinha passado precisei tomar cuidado com grandes poças acumuladas na pista, o que não adiantou muito. Quando eu estava completando mais uma volta de frente a entrada da recepção me faltou uma grande quantidade de ar, Lola disparou em um ritmo mais acelerado e eu deslizei alguns metros de bunda no chão sem entender se o que eu tinha visto na minha frente era real ou só um distúrbio de imagens provocado por minha fértil imaginação. Não poderia ser, não aqui. Eu ainda não estou preparada para isso. Não é possível. Com certeza ainda não me curei dessa ferida, não sei se posso curar, ela nunca esteve tão aberta e agora eu sabia que deveria me acostumar com ela  e fazer o mesmo que ele disse que faria. Ao abrir os olhos eu estava sendo levantada pelo casal que eu acabara de derrubar, muito insegura olhei firme para a camisa amarela do rapaz e subi o olhar como uma criança com medo de encarar os pais após quebrar algum objeto importante. Encontrei os olhos dele e não consegui acreditar no que os meus estavam mostrando. Era ele. Era ele. Segurei forte a minha peluda até ver que ele parecia nem ao menos saber o meu nome. Aquilo caiu como um balde de água gelada, e aquele sorriso ao perguntar se eu estava bem me cortou tão profundamente que eu não lembrei de responder a pergunta, mas lembrei da moça que acariciava Lola e sorria para ele. Então, como a entrusa que nunca imaginei que poderia ser, recolhi a coleira e entrei no hotel pronta para voltar para casa...

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um lixo de estória.


Muita gente gosta de sentir frio.
Outras gostam do calor.
E umas gostam apenas de observar da janela, com um bom aquecedor ligado, os efeitos gelados que deixam o ar do lado de fora com um efeito mais turvo e cinza. 
Desde que o inverno chegou eu sabia que não iria ser fácil manter a calma, mas me sentia aliviada já que o efeito que o frio causava em mim era quase anestésico. Junto com o frio outras coisas chegaram causando não só um desconforto entre as pessoas que corriam em busca de uma fonte de calor, mas uma agonia e um ar de preocupação com coisas que ainda nem tinha acontecido. 
Especialmente nesta época eu me mudara com meu marido para um lugar um tanto mais reservado e distante, na esperança de fugir dos olhares curiosos. Querendo ou não a nossa presença aguçava muito os sentimentos ruins de alguns conhecidos, que por um motivo não compreensivo começou a afetar de forma radical nosso cotidiano. De lá para cá nossa relação se mostrava um pouco conturbada e eu lia nos olhos dele uma estranha mistura de ternura, cuidado, desconfiança e preocupação sendo acumulados todos os dias sobre situações que, fugiam de meu domínio, mas que me faziam sentir culpada. 
Ao chegarmos à nova casa fiz questão de arrumar a decoração e deixar tudo com uma aparência acolhedora e bem confortável, o bastante para ser chamado de lar e alegrar meu amado Luís. Fiz questão de me preocupar até com as cores que iriam se casar em cada cômodo e com as sensações que iriam provocar. Nenhum rastro de poeira poderia ser deixado, eu nunca tinha me preocupado tanto com essas coisas, eu precisava deixar tudo perfeito para que ele se sentisse bem onde estava.
Os dias se passavam, a temperatura nos termômetros daquela pequena cidade só caia, chegando a marcar -3 graus na manhã que se sucedera a nossa chegada.
   Como de costume nos deitávamos cedo para nos amarmos até os últimos segundos da manhã seguinte, em que ele saia para trabalhar, nessa hora, ainda despida, me despedia de seu calor na porta de casa e subia até a varanda coberta do segundo andar para acompanhar sua lenta partida até a estrada que caminhava rumo ao seu destino. Durante esse tempo meus olhos se fixavam em sua silhueta coberta por mais de três blusas e lhe desejava boas coisas em silêncio esperando que retornasse o mais rápido possível, pois a saudade já batia desde que tocara minha pele a ultima vez. Quando dava por mim já estava roxa e lembrava que precisava entrar antes de congelar. Se não fosse por isso poderia permanecer ali até vê-lo novamente.
Seria muito bom continuar contando como ficamos felizes e como tudo deu certo depois dessa mudança, afinal nada nos impedia agora e o lugar tinha um clima que nos agradava muito. Quem dera fosse assim. Até hoje me pergunto como pode acontecer. Nossa rotina dos sonhos não foram de durar mais de alguns dias, eu não saia de casa, pois o clima estava afetando muito meu estado de saúde e as ultimas coordenadas eram de repouso e nenhuma porta aberta nas próximas 6 semanas. Luís precisava continuar trabalhando e tudo isso não impedia sua ida em direção a grande fábrica diariamente das 5h até às 19h.
   A cada retorno do meu Luís eu sentia algo estranho, e o medo tomava conta de minha vida constantemente, não me deixando pensar em muitas coisas se não no que estava se passando. O que eu não percebera nessa época era que Luís estava cada vez mais distante e tentava me mostrar isso sempre que olhava fundo nos meus olhos. Aqueles olhos. Aqueles olhos não mentiam. Aqueles olhos chafurdados em um grande oceano turquesa, e aquele estranho desenho em formato de coração feito precisamente a lápis em suas íris revelando sua essência. Luís parecia ser feito do que havia de mais fino e puro que existia, até seu cheiro era inconfundível e fazia com que qualquer um que tivesse próximo ter de fazer um esforço incalculável para se afastar. Meu Luís. Não da para esquecer, da forma com que sorria pra mim, da forma com que se preocupava, da forma com que falava daquilo que acreditava, da forma com que me fazia chantagens bobas para ter o que queria e me deixava brava, da forma com a qual me fazia rir, da forma que se dirigia a mim e da forma como foi embora. 
   Era uma segunda feira, o clima não estava diferente dos outros dias de acordo com os noticiários, mas eu podia jurar que sentia a oscilação do frio de tempo em tempo, caindo e subindo de forma totalmente desordenada.  Abri os olhos mais cedo do que o comum essa manhã e logo percebi que estava sozinha na cama. Levantei calmamente para ver o que ele tinha ido fazer a essa hora. O relógio apontava exatas 4h da manhã. Ao chegar à sala encontrei uma garrafa térmica que exalava cheiro de chá de maçã com canela, o meu favorito. Não entendi o que significava, até mesmo porque Luís não gostava de chá e cheguei à conclusão que deveria ser pra mim. Mas onde ele esta? Ao me virar me deparei com sua estrutura virada para mim e olhos levemente inchados como se estivessem passado os últimos anos de sua vida chorando. Eu não entendia mais nada, mas senti a culpa caindo sobre mim de repente e sabia que era tudo por causa de mim. Corri em quatro passos até ele procurando agarra-lo em um abraço apertado. Minhas lágrimas caiam continuamente e eu já não sabia o que estava fazendo, nem onde estava, só sabia que o meu amor estava sofrendo e que eu desejava mais do que viver concertar isso tudo. Ele estava bem ali, apenas me olhando, sem mudar de expressão e sem fazer qualquer movimento. Então eu respirei fundo, olhei nos olhos dele, que estavam incrivelmente cinza, e perguntei o que estava acontecendo, o que significava isso tudo. Ele movimentou um dos braços, me desprendeu de sua cintura e levou os lábios até meus ouvidos sussurrando um longo, doloroso e cortante "Adeus". Nesse mesmo segundo eu perdi a força nas pernas e cai no chão. Senti o suor descer da nunca e congelar nas costas, um véu branco cobriu meus olhos e eu não conseguia enxergar mais nada. Tentei desesperadamente me levantar ou alcança-lo com os braços, mas nada se movia. Então eu ouvi a porta bater e tudo tinha virado nada.

terça-feira, 5 de junho de 2012

SirpEl

Anjos são seres puros, cheio de luzes e cores.
Pureza irradiada sem medidas onde quer que estejam.
Penetrante suas cores iluminam até o dia e ofuscam o Sol.
Sol, centro deste universo. SirpEl.


Perdida em meio a multidão de seres tão sombrios quando a noite fria sem estrelas.
Pobre anjo doce, puro, caído na lama.
Escarrada .
Apedrejada.
Desgraçada.
Mal amada és tu agora pelo direito que escolheu de poder ser humana!


Sem asas.
Sem casa.
Sem parada.
Tu fostes rasgada.


Vaga, vaga pequena.
Vaga porque te perseguem.
Vaga porque te querem.
Seja suja, limpa ou maltrapilha, te querem morta.
Não pelo que fez, nem pelo que é, mas pelo que foi e talvez ainda serás.
Corre, esconde, aguarda.
Controle suas emoções infiéis, possessivas, agressivas, inapropriadas.
Tira, rasga, fere, deite-se.
O dia ainda não chegou.
Sente falta de casa, não é criança?
Enfia na garganta essas palavras e feche os benditos olhos de imensidão...
Sofra a emoção da perda.
Sinta medo.
Viva esse desespero.


Regurgita suas feridas expostas ao nada.
Coma a terra que te cerca e continue mesmo estando saturada.
Penetre e deixe ser penetrada.
Saboreie a sensação de ser deixada.


Agora olhe.
Bem devagar, expire.
Um pouco mais fundo.
Agora inspire.
Esta sentindo?
Estão vindo te salvar.

Ana Helena

Alexandre A. Passarelli

Natália Marinho

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A luz e a cor


Em você eu encontrei a luz,
E as cores que eu precisava,
Você segurou tão forte em minha mão,
E naquele momento eu não sentia mais nada,
Você apenas disse, estarei contigo e isso não mudará...

Você conhece o fundo dos meus segredos,
Você tem a chave para minha paz,
Você tem a razão para meu sorriso e toda felicidade,
Você é a luz e todas as cores que habitam em mim,
Não somos duas pessoas, formamos apenas um ser...

Você não pode me deixar, jamais pense nisso,
Um anjo só consegue viver com duas asas,
E sem uma delas ele não consegue voar,
Com você ao meu lado eu consigo voar muito longe,
Sem você comigo não consigo nem andar...

Acho que ninguém nos disse que algo seria fácil,
Ou muito menos nós pensamos que seria assim,
Mas é só falar com você que todos os problemas se tornam nulos,
Toda a dor vai embora e nada mais me importa nessa hora..
Só consigo pensar, em quanto quero te abraçar, em quanto queria estar com você,
Em quanto eu quero te ajudar a não chorar...

Não basta eu dizer que eu te amo, eu terei que lhe mostrar em toda vida que eu passar,
Terei que te acompanhar de todo coração e alma por qualquer lugar que você irá estar,
Terei que acalmar suas tempestades sem você poder enxergar,
Serei o seu abrigo seguro quando você mais precisar,
Chegarei de surpresa quando você nem imaginar,
Te abraçarei tantas vezes que o tempo só irá passar,
Te amarei por toda a eternidade sem deixar nunca isso acabar...

Você é a jóia mais preciosa,
O centro do meu universo,
A luz para meus olhos,
E a cor da minha vida.



Por: Alexandre Passarelli

terça-feira, 1 de maio de 2012

Fogo

 Trás de volta
 Me envolve e aquece
 Meu corpo apetece
 Suave derrota
 Minha entrega devota,
 A chama se acende.


 Em cada suspiro
 Inunda meus rios,
 Me envolve de fogo.


 A cada segundo 
 Pulsantes batidas
 Causa arritmia,
 Meu coração queima.


 As marcas deixadas
 Jamais apagadas 
 Curam as dores,
 Me trás segurança


 Ao se afastar
 Solidão toma conta 
 Desespero e vazio 
 Já faz muito frio 
Quando vais voltar?

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A moça


Infantil

Queria poder te contar as inúmeras vezes em que me peguei repetindo teu nome no silêncio de meus pensamentos. Tão infantil e irresponsável, intragável situação de desespero. Me fechei aguardando resposta que nunca chegarão e ainda respiro ao engasgo da situação. Confusa a menina retorna a casa dos pais da mesma forma que a deixou; jovem.

Dorme

Calma para quem descansa;
Sono para alma mansa;
Sonho para te ter aqui.


Antiga cantiga
Desperta preguiça
Te faz ressonar.


Tranquilo, dorme sereno.
Te guardo em meu peito, pequeno.
Embrulhado em um edredom de dormir...


Shhh...